REFLEXÕES TEOLÓGICAS

 

ÙTEROS GRÁVIDOS DE ESPERANÇA

 

    A aproximação das celebrações natalinas modifica o clima das cidades. Enfeites nas casas, nas ruas, nas lojas lembram a proximidade do Natal. O comércio aguarda e se prepara para a data que possibilita um lucro diferenciado das demais comemorações no decorrer do ano.

      As trocas de presentes, as reuniões familiares, as mesas fartas fazem parte das festividades comemorativas espalhadas pelos continentes. No contexto cristão, “o Natal celebra a encarnação da Palavra eterna que se fez ser humano no nascimento de Jesus Cristo. Surgiu nas igrejas da parte ocidental do Império Romano, sendo acrescentado ao ano litúrgico durante o século IV” (Manual do culto da IPI do Brasil, p. 174).

  Não há dúvida quanto aos sentimentos que são despertados nesta data. Algumas pessoas se tornam mais generosas, outras mais compassivas, outras mais reflexivas e outras indiferentes, mas o fato é que a chegada do Natal, de formas diferentes, influencia a convivência entre as pessoas.

Ao pensarmos na história que nos traz à memória a celebração do Natal, ainda que a data tenha sido apropriada de outra festividade, não há como desconsiderarmos as circunstâncias e as pessoas envolvidas no evento do nascimento de Jesus como registrado nos Evangelhos.

   Deus enviou seu filho que nasceu e foi colocado em uma manjedoura aos arredores da cidade de Belém. A criança recebe um nome e a missão de ensinar a humanidade a ser mais humana e de reconhecer o ato gracioso e misericordioso de Deus oferecendo perdão às pessoas que caminhavam distantes da sua presença. Na história da salvação, duas mulheres são mencionadas: Izabel, mãe de João Batista, e Maria, mãe de Jesus. Do encontro entre as duas mulheres nascem importantes lições para nós ao nos organizarmos para a celebração do Natal.

     Em primeiro lugar, a notícia que transforma a realidade. Izabel, esposa do sacerdote Zacarias, estava em idade avançada e biologicamente não poderia ter filhos. O casal era justo diante de Deus (Lc 1.6), porém não tiveram filhos para darem continuidade ao ofício do pai. A história de Izabel encontra correspondência às das matriarcas do povo de Israel. Sara, Rebeca e Raquel eram estéreis, não podiam dar descendentes e continuidade ao povo que Deus prometera ser numeroso. Sob a intervenção divina, os úteros  que não geravam vidas, tornam-se férteis, nascem os descendentes e renascem as esperanças de um povo. Tanto as matriarcas quanto Izabel anunciam a chegada do novo na vida do povo de Israel e toda a humanidade. Maria não se enquadra no esquema das mulheres estéreis, mas assim como as matriarcas e Izabel, em seu útero foi gerada a criança que traria esperança para toda a humanidade.

   O tempo em que Izabel e Maria viveram foi de opressão. Os romanos dominavam a Palestina, os impostos eram altos e grande parte da população vivia de forma precária. A “boa notícia” foi entregue não somente à mulher estéril ou àquela que geraria o filho de Deus, mas a toda humanidade. Os ventres grávidos anunciavam que na história humana a presença divina é transformadora.

   Em segundo lugar, o reconhecimento da importância do outro. Izabel ao receber a visita de Maria, sua parente, teve o coração repleto de alegria. Para Izabel, o milagre da vida se constituía em reconhecer a misericórdia e a graça de Deus. João, filho de Izabel, seria o anunciador da chegada do filho de Deus. Izabel reconheceu a importância de Maria e do filho que ela gerava e abençoou a que seria a mãe do Senhor (Lc 2.42,43).

    E, por fim, temos a alegria na renovação da vida. O nascimento de João trouxe regozijo aos vizinhos e parentes de Izabel e Zacarias (Lc 2.58). O nascimento de Jesus foi saudado por anjos, pastores e visitantes ilustres de terras distantes que entregaram presentes preciosos e a criancinha de Belém encheu os corações de esperança.

   No encontro das mulheres, na partilha da boa notícia, na vida que renasce no nascimento das crianças e na esperança de um mundo mais justo e pacífico, o espírito da celebração natalina estava presente, não como data comemorativa, mas como encarnação do amor e da graça de Deus.

   Celebrar o Natal é se lembrar no encontro entre mulheres que carregam a esperança em seus úteros grávidos, no reconhecimento da importância da outra pessoa e na sua acolhida com alegria e humildade e na certeza de que a renovação da vida foi gestada e nasceu da graça de Deus para que não seja sufocada a esperança.

 

 

Revª. Shirley Maria dos Santos Proença

Pastora da 1ª IPI de Guarulhos-SP

Professora e Coordenadora da FATIPI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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