REFLEXÕES TEOLÓGICAS

 

O SENTIDO DA VERDADEIRA PÁSCOA

 

A Páscoa é um dos principais eventos do calendário judaico-cristão. O Domingo de Páscoa é um dia especial para toda a cristandade. Trata-se ainda de um evento significativo para os cristãos e principalmente para os fiéis mais tradicionais. Outros segmentos da sociedade tiram proveito desta data! O comércio, por exemplo, aproveita para motivar compradores em potencial, no sentido de que consumam seus produtos customizados. E para isso existe muita criatividade no mercado!

Mas, o que vem a ser a Páscoa?

Na tradição judaica a Páscoa está relacionada à libertação do povo hebreu do cativeiro do Egito (Ex 12.1-20). Tendo em vista a passagem de seu povo pelo Mar Vermelho, Moisés foi instruído por Deus no sentido de que todos os anos a Páscoa fosse comemorada. E todo o ritual foi por Deus estabelecido: o povo devia comer ervas amargas, para não esquecer o sofrimento no Egito, durante o cativeiro (Ex 12.8), e assim pudesse valorizar mais o processo da libertação; o povo também devia comer o pão sem fermento, como lembrança da pressa (Ex 12.11) para a fuga do Egito no dia da libertação; finalmente, o povo também devia comer a carne de um cordeiro, sem mácula, juntamente com a sua família e, quando esta fosse pequena, com vizinhos mais próximos. Enfim, toda a comunidade judaica deveria ter o dever de celebrar a Páscoa.

Jesus fez questão de comemorar a Páscoa com os seus discípulos, cumprindo um ritual judeu que não deveria ser esquecido. Mas a partir dEle, a Páscoa toma um novo sentido. A comemoração agora é da libertação do povo do cativeiro do pecado, conseguida através do sacrifício do próprio Jesus, o verdadeiro cordeiro, sem mácula, imolado em favor dos pecadores. O reconhecimento do corpo de Cristo sacrificado e Seu sangue derramado na cruz, a experiência de confissão de pecados e o arrependimento são os novos elementos da Páscoa do cristão. Se no passado o objetivo do povo era chegar à “Terra Prometida”, o objetivo do cristão nesse novo tempo deve ser chegar à nova “Terra Prometida”, à vida eterna!

A Páscoa que a maioria das pessoas de nossa sociedade hoje comemora, porém, não tem o mesmo valor da Páscoa dos judeus nem da Páscoa dos cristãos. Como vimos, as motivações para as comemorações pascais, têm sido ditadas pela mídia, de maneira desvirtuada, em função de interesses comerciais. Celebrar a Páscoa em nossos dias tem significado o  consumo desmesurado de guloseimas à base de chocolate e banquetes de alto valor material, incluindo troca de lembranças entre amigos e familiares!  Comemora-se a Páscoa sem as referências bíblicas em relação à Páscoa judaica; e sem Cristo como o verdadeiro “Cordeiro imolado” segundo os valores da fé cristã; consequentemente, sem o ideal de libertação, conforme a prática de judeus e cristãos.

 Podemos contextualizar os valores das celebrações pascais anteriores: tomando as referências das celebrações do passado, ao reconhecer que, ainda que simbolicamente, ainda é válido, baseado na tradição, valorizar o “comer ervas amargas”, como desafio de se rever e avaliar o passado de privações e sofrimentos: quando escravizados pelo pecado, com vícios nocivos à vida, o infortúnio das paixões negativas, ódio e ressentimentos, crises e conflitos que têm gerado dores e sofrimentos sobre todos nós.

Tendo como referência a necessidade de “comer pão sem fermento”, de maneira simbólica, defrontemo-nos também com a necessidade de não perder tempo na caminhada para a libertação. Logo, “com pressa” somos desafiados a deixar e não olhar para trás o dogmatismo e a intolerância; deixando tudo que lembre o tempo vivido como escravos do pecado e, assim, também “com pressa”, correr para o abraço, para a experiência do perdão, para a reconciliação com o próximo, para a ressignificação da vida, em busca da verdadeira libertação que Deus nos oferece nesse tempo pascal.

Finalmente, trazendo à tona a ideia do “cordeiro imolado” que os judeus comiam durante a Páscoa, com a família, lembramo-nos como cristãos, do sacrifício de Cristo, o Cordeiro, sem mácula, que deve ser reconhecido como o Salvador e Senhor da humanidade. Enquanto o cordeiro sacrificado pelos judeus, perdia a vida para sempre; Jesus, como o Cordeiro de Deus, é a verdadeira Páscoa para todos os seres humanos em todo o tempo e lugar; porque Ele ressuscitou ao terceiro dia após a Sua morte na cruz, a fim de que também ressuscitemos do túmulo dos nossos pecados para a experiência de uma nova vida completa e abundante!

A nossa esperança é que, como cristãos, comemoremos uma Páscoa ressignificada em relação às práticas de nossa sociedade, sem perder de vista o ideal de libertação implícito nesse evento. Que a comemoremos com meditação sobre o sacrifício de Cristo, orações e ações de graça, trazendo sempre à memória tudo o que Deus fez pela humanidade para garantir a todos a salvação eterna. Nossa Páscoa deve ser um momento especial para retomarmos compromissos, como seguidores de Cristo, e nos tornarmos melhores em nossa fé, em nosso relacionamento com o próximo e com Deus!

Feliz Páscoa!

 

 

Rev. Leontino Farias dos Santos

Vice-Diretor da FATIPI

 

 

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