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MARAVILHOSA GRAÇA

Philip Yancey é um dos autores mais lidos pelos cristãos em todo o mundo na atualidade. Estima-se que mais de 14 milhões dos seus livros já foram vendidos, sendo traduzidos para mais de 25 idiomas. Além de escritor, ele é jornalista, palestrante e editor associado da revista “Christianity Today”. Devido a sua notoriedade, Yancey é ganhou vários prêmios de “melhor livro” nos Estados Unidos. Atualmente, ele e sua esposa vivem no Colorado, nos Estados Unidos.

Um dos livros mais marcantes e relevantes de Philip Yancey, sem dúvida, é “Maravilhosa graça”, publicado em português no ano de 1999, pela Editora Vida. Trata-se de um livro muito interessante, envolvente, cativante e gostoso de ler, tendo em vista a ênfase naquele que é um dos temas centrais da fé cristã e da tradição reformada: a maravilhosa graça de Deus.

A leitura de “Maravilhosa graça” nos faz refletir seriamente sobre a graça divina e nos leva até mesmo ao constrangimento, pois, com muita propriedade, sabedoria e sutileza, Yancey questiona nosso “saber” e principalmente nosso viver a graça de Deus como cristãos e como igreja de Cristo. Com sólida fundamentação bíblica e teológica em suas afirmações, o autor tem a capacidade de abalar as convicções superficiais da graça de Deus.

Graça é o amor transformador e restaurador de Deus para os que não a merecem. Neste sentido, umas das principais referências do livro, se não a principal, se dá pelo fato de Yancey privilegiar os “não merecedores” da graça de Deus em nossos dias, aqueles que são, muitas vezes, rejeitados, discriminados e ignorados pela própria igreja de Cristo. Outra referência importante é o de vivermos num mundo totalmente desprovido da graça de Deus, o que caracteriza, em diversas ocasiões, a realidade da igreja também.

É neste sentido que, ao levar muito a sério as duas referências citadas acima, Yancey analisa, relaciona e mostra como devemos considerar a graça de Deus em meio aos assuntos controversos e difíceis da nossa história e do nosso cotidiano. Dentre os assuntos contemplados por ele, temos: atrocidades como o holocausto nazista, a brutalidade da Ku Klux Klan, a infidelidade conjugal, o racismo, o homossexual etc. Exemplo disto já aparece no início do livro, com a resposta de uma prostituta totalmente desamparada e em desespero, pois se encontrava sem lar, doente, passando fome e prostituía a própria filha de dois anos para sobreviver, aconselhada a procurar uma igreja e pedir ajuda, disse assim: “Igreja! Por que eu deveria ir até lá? Já me sinto horrível agora. Eles apenas farão com que eu me sinta pior”. A seguir, Yancey destaca que mulheres, numa situação idêntica à prostituta mencionada, procuraram Jesus, iam ao encontro dele, ou seja, não fugiram dele: “Por pior que uma pessoa se sentisse a respeito de si mesma, ela sempre procurava Jesus como um refúgio. Será que a igreja perdeu esse dom? Evidentemente, os desvalidos que recorriam a Jesus quando ele vivia na terra já não se sentem bem-vindos entre os seus discípulos. O que aconteceu?” (p. 9-10).

Outra concepção marcante do livro está no significado da graça apresentado por Yancey: “Graça significa que não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame mais [...]. E graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos [...]. Graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar [...]. Significa que eu, até mesmo eu, que mereço o contrário, sou convidado a tomar meu lugar à mesa da família de Deus” (p. 71). Este significado da graça é muito interessante porque é contra a lógica legalista e à lógica baseada nos méritos pessoais para ser aceito por Deus. O significado da graça apresentado por Yancey é contra o princípio de quanto mais eu faço para Deus, mais Ele me ama e, da mesma forma, quanto menos faço para Deus, menos Ele me ama. Se analisarmos bem, este princípio permeou os conflitos sobre a graça e a aceitação de Deus entre Jesus e os fariseus de sua época.

Direta e indiretamente, Yancey está, de forma profética, denunciando a falta da graça de Deus em nosso mundo, na igreja e nos cristãos de hoje, tanto no sentido de compreender, experimentar e ver, como no sentido de praticar e viver a graça de Deus.

A leitura sincera e atenta deste livro nos deixará um tanto quanto incomodados diante de vários assuntos, mas também proporcionará nova concepção da graça de Deus e, quem sabe, nova maneira de viver e agir em relação a ela. Nosso desejo é que a leitura deste livro nos leve a perceber que, de fato, a graça de Deus é maravilhosa e que, muitas vezes, temos pouca habilidade de aceitar e praticar o que o apóstolo Paulo nos ensinou: “onde abundou o pecado superabundou a graça” (Rm 5.20).

Rev. Reginaldo von Zuben

Diretor e Professor da FATIPI




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