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Sagrados propósitos do Natal

O Natal é uma festa diferente, bonita, iluminada, alegre, marcada por refeições e encontros, principalmente entre familiares. Para muitos, o Natal é celebrado como quebra da rotina de um ano de trabalho e, por isto, o descanso físico e emocional estão presentes nesta festa. Para as crianças, há a expectativa pela chegada do Papai Noel e, com ele, os presentes. A troca de presentes se dá também entre jovens e adultos por meio da brincadeira “amigo secreto”. Há pessoas que consideram o Natal como ocasião oportuna para viajar, se isolar, dentre outras coisas. O Natal é assim: apesar de todo interesse comercial e correria do final do ano, há certo encanto em torno dele. No entanto, não é incomum aparecerem os maus humorados, revoltados e legalistas com o desejo de estragar a festa (rsrsrs).

Em relação a tudo o que acontece no Natal, algumas aceitáveis e outras não, devemos olhar para a Palavra de Deus e ressaltar os sagrados propósitos no nascimento daquele que é a principal razão de celebrarmos esta festa tão bonita e contagiante: Jesus Cristo. Quero destacar aqui o propósito da comunhão, da reconciliação e da redenção.

O primeiro é o propósito sagrado da comunhão

Ao anunciar o nascimento de Jesus para José, o anjo afirmou que tudo o que estava acontecendo com Maria era obra do Espírito Santo e que o menino seria o “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco” (Mt 1.23). Em Jesus, Deus se faz presente de forma pessoal e intensa em nós. Jesus é a encarnação do Deus vivo entre nós. É o Deus que se faz gente para habitar, comer, rir, ensinar, chorar e andar conosco, até mesmo nas situações mais adversas que enfrentamos. Deus se revela como aquele que deseja comunhão, estar junto, relacionar-se comigo e com você a partir do nascimento de Jesus. A comunhão só é possível com a presença. Não existe comunhão plena, integral, verdadeira, pessoal, sem a presença. Neste sentido, Jesus veio eliminar tudo aquilo que o ser humano cria e alimenta como barreiras, dificuldades e impedimentos para a real e direta comunhão com Deus. Tudo isso se dá por meio do legalismo, do preconceito, da intolerância, da falta de amor, da religiosidade e, inclusive, da não-crença na existência do próprio Deus. No nascimento de Jesus, Deus se faz presente, está conosco e estabelece a comunhão. Ele fala ao nosso coração, ouve as nossas dificuldades e medos, anda conosco em todos os lugares, inspira nosso coração, levanta-nos quando caímos, fortalece a nossa fé e concede bênçãos sem medidas para o nosso viver.

O segundo propósito sagrado do nascimento o de Jesus é o da reconciliação

Não existe comunhão sem que primeiro haja a reconciliação. Todos nós sabemos que o pecado está presente na vida humana. Além de sabermos, o pecado é sentido, experimentado, visto toda vez que nos deparamos com o mal em nossa vida e na realidade em que vivemos. Longe de qualquer moralismo e legalismo, o pecado é o gosto amargo em nosso coração e a culpa em nossa consciência. É o sentimento que nos leva a reconhecer e afirmar: “eu errei”. O ser humano pecou contra Deus e, com isto, prejudicou o seu relacionamento consigo mesmo, com o próximo, com o meio ambiente e com o próprio criador. Por causa do pecado, o ser humano precisa se reconciliar com Deus e é o próprio Deus quem toma a inciativa para esta reconciliação. Isto se dá com o nascimento de Jesus Cristo. Reconciliação é relacionamento restaurado. É querer o bem e fazer o bem a quem cometeu o erro. É voltar a andar junto com quem se distanciou. É perdoar aquele que cometeu a ofensa. Reconciliação é pensar diferente, viver diferente e agir diferente em relação à vingança, ao ódio, à frieza e à indiferença. Reconciliação é voltar a viver em paz. No Evangelho de Lucas, os anjos cantam em louvor a Deus pelo nascimento de Jesus: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem Deus quer bem” (Lc 2.13). Jesus nasceu para reconciliar o ser humano com Deus.

Por fim, no nascimento de Jesus temos o propósito sagrado da redenção

No nascimento de Jesus, no Evangelho de Lucas também encontramos a mensagem angelical aos pastores no campo: “Não temais; eis que vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11). Jesus nasceu para salvar a humanidade pecadora; nasceu para consumar a obra redentora de Deus. A redenção em Cristo está baseada em dois fundamentos: em seu senhorio e na graça de Deus. Em toda a sua vida, em tudo que fez em termos de sinais, curas e milagres, por meio de tudo o que ensinou, até sua na morte de cruz e sua ressurreição, Jesus revelou o seu senhorio e a graça de Deus para a minha e a sua salvação. Esta boa-nova deve ser vivida, celebrada e levada a todo mundo. Este é o Natal que celebramos!

Neste Natal, em meio a tantas coisas por acontecer, celebremos os sagrados propósitos do nascimento de Jesus. Amém!


Rev. Reginaldo von Zuben

Professor e diretor da Faculdade de Teologia de São Paulo da IPI do Brasil (FATIPI)

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