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A MÃE QUE TEME AO SENHOR

A celebração cristã do “Dia das Mães” é sempre uma oportunidade para olhar o que a Bíblia ensina sobre essa missão tão nobre : a missão de ser mãe. Olhemos para o retrato da mãe tal como é apresentada pelo livro de Provérbios. O livro de Provérbios ensina que a essência da sabedoria está no temor ao Senhor e que temer ao Senhor consiste numa amizade sincera com Deus. Temer a Deus é caminhar com Deus.

    Ao traçar um retrato da mãe, o livro de Provérbios a apresenta como a mulher que teme ao Senhor. A razão de sua sabedoria está no temor do Senhor; a força de sua abnegação está no temor do Senhor; a sua desenvoltura no lar está no temor do Senhor; a força de seu caráter nasce de seu temor ao Senhor.

 O capítulo 31 de Provérbios traz um retrato ousado da mulher. Ela não é a rainha do lar, conforme a visão tradicionalista, e nem a mulher emancipada e bem-sucedida profissionalmente, conforme a visão feminista. Ela é, na verdade, bem-sucedida dentro e fora de casa. A mulher de Provérbios não está presa aos papéis convencionais, mas é alguém perfeitamente sintonizada ao ritmo de uma vida de temor ao Senhor e de amor ao próximo, por isso, vou chamá-la de “a mãe que teme ao Senhor”.

     A mãe que teme ao Senhor ensina os filhos. A coisa mais importante para os filhos é aquilo que aprendem em casa. Hoje se fala muito das péssimas condições das escolas, mas quase ninguém fala das péssimas condições das famílias. Querem que as escolas ensinem ética, moral e bom comportamento. É mais fácil falar da crise da educação do que falar da crise familiar, do vazio moral e do relativismo que se instalou na maior parte dos lares em nosso país. A mãe retratada em Provérbios ensina os seus filhos. Não se sabe quem foi o rei Lemuel. Sabe-se que foi um rei, cujo aprendizado recebido em casa,  ajudou-o a governar. Vejamos o seguinte versículo: “Palavras do rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe” (Pv 31.1). O sucesso moral e espiritual dos filhos não está naquilo que eles aprenderão depois de adultos, na faculdade por exemplo, mas naquilo que lhes foi ensinado pela sua mãe dentro de casa. No caso do Rei Lemuel,  o que  sua mãe lhe ensinou? Vejamos: “Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos, às que destroem os reis” (Pv. 31.3); “Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos” (Pv 31.4-5). Estas duas afirmações são exemplos de autocontrole.

    Diante do que lemos acima, é na infância que se ensina a criança a respeitar si mesma e respeitar ao próximo. Quantas das tragédias de motoristas alcoolizados seriam evitadas se os filhos simplesmente dessem ouvidos aos conselhos que receberam em casa? Muitas vezes o problema não é a falta de ensino em casa, mas a rebeldia dos filhos. Se isto acontecer, pelo menos os pais terão a consciência tranquila do que foi ensinado.

      A mãe que teme ao Senhor ama a sua família. A mulher retratada em Provébios 31, como esposa e mãe, possui cerca de vinte habilidades, as quais não apresentam um fardo. Não se  deve ler Provérbios 31 numa perspectiva comparativa e prescritiva. Este capítulo tem o propósito, por meio das imagens, de inspirar-nos na busca da construção de bons relacionamentos. A família precisa ser aconchegante e boa para todos. A meu ver, esta super-mulher de Provérbios está dizendo: faça o melhor pelo seu lar e por sua família. Se você precisa e quer trabalhar fora, vá em frente, mas não perca a sintonia com a família; se há muita coisa a ser feita em casa, faça uma lista de prioridades; se algo pode ser reaproveitado ou reformado, não tema fazê-lo. Se quisermos usar a linguagem contemporânea, podemos dizer que a mulher de Provérbios está em sintonia com os valores que preconizam o consumo responsável e autossustentável da vida familiar criativa e prazerosa. É também a mulher cidadã, ou seja, que é capaz de olhar para fora do lar e enxergar aqueles que estão desamparados e ajudá-los, pois sua ética é universalista e não tribal. Justamente porque ama sua família, é também sensível às necessidades daqueles que estão privados de uma vida familiar abençoada. Ela: “Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado” (Pv 31.20). O segredo da mulher que teme ao Senhor está em organizar as coisas e tarefas em favor da promoção dos bons relacionamentos familiares. Um coração cheio de temor a Deus e de amor pelo marido e pelos filhos contagia todo o ambiente do lar. O modo como seu comportamento contagia a todos positivamente aparece em alguns versículos, tais como: “Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma. Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida” (Pv 31.11-12 - NVI); “Quando abre a boca, sempre tem algo importante a dizer e sempre o diz com toda gentileza (Pv. 31.26 – A Mensagem).

    A mãe que teme ao Senhor deve ser elogiada. Deve ser elogiada não só no “Dia das Mães” ou no “Dia Internacional da Mulher”, mas deve ser elogiada sempre. Fico cada vez mais impressionado com a acidez e o espírito competitivo que se instala na vida das famílias. Casais que não se veem como parceiros, mas como competidores; casais que não celebram o sucesso um do outro, mas se ressentem quando o outro alcança sucesso; filhos que diante dos sacrifícios feitos pela mãe respondem: “você não faz mais que a sua obrigação!”. Provérbios 31 apresenta-nos outra visão. O texto sagrado incentiva-nos ao elogio e ao louvor sincero daquilo que a mãe que teme ao Senhor faz em favor da família: os filhos a respeitam e dela falam bem; o marido não economiza elogios, pois “muitas mulheres têm feito coisas maravilhosas, mas você superou a todas” (Pv 31.28-29 – A Mensagem). Não há presente melhor para a mãe e esposa que o elogio dos filhos e do marido. A casa precisa ser um lugar de celebração e reconhecimento. Não espere apenas o “Dia das Mães” para presentear e elogiar!

     Por fim, uma palavra a você, mãe! Provérbios diz: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada" (Pv 31.30). É possível que os seus sacrifícios em favor da família não tenham sido reconhecidos por filhos ou esposo.  Entretanto, o autor da carta aos Hebreus lembra que “Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho [...]”(Hb 6.10). A maternidade é uma das mais desafiadoras missões já dadas a um ser humano, pois  exige a disciplina de um soldado, a criatividade de um artista, a estratégia de um jogador de xadrez e a precisão de um ourives. Deus tem um lugar especial para as mães no seu plano para o mundo, por isso o maior louvor que uma mãe pode receber é aquele que vem da parte de Deus.


Prof. Valdinei Aparecido Ferreira

Pastor da 1ª IPI de São Paulo - SP

Doutor em Sociologia pela USP

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