FATIPI realiza 1º Colóquio Teológico e lança edição da revista Teologia e Sociedade dedicada à relação entre religião e saúde mental
- comunicacao299
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Atualizado: há 2 horas
Em um tempo marcado pelo crescimento dos transtornos emocionais, da ansiedade, da depressão e da crescente busca por sentido, refletir sobre a relação entre religião e saúde mental tornou-se uma necessidade acadêmica, pastoral e social. Atenta a esse desafio contemporâneo, a Faculdade de Teologia de São Paulo (FATIPI) realizou, no dia 17 de junho, o I Colóquio Teológico, reunindo professores, estudantes, pesquisadores e líderes cristãos para discutir o tema “O papel da religião na saúde mental”.


O encontro reafirmou o compromisso da FATIPI com uma formação teológica capaz de dialogar com outras áreas do conhecimento, especialmente a Psicologia e a Comunicação, promovendo uma reflexão bíblica, científica e pastoral sobre uma das questões mais urgentes da sociedade contemporânea.
Participaram do colóquio o Prof. Dr. Esny Cerene, que atuou como moderador, o Rev. Marcos Kopeska e a Dra. Érika Nakano, cujas exposições enriqueceram o debate ao abordar as múltiplas interfaces entre espiritualidade, sofrimento humano, cuidado pastoral e saúde emocional. O evento contou ainda com expressiva participação de alunos e professores, tanto presencialmente quanto por meio da transmissão ao vivo, demonstrando o crescente interesse da comunidade acadêmica por uma abordagem interdisciplinar da formação teológica.


Mais do que discutir conceitos, o colóquio propôs uma reflexão sobre o potencial da religião como espaço de acolhimento, construção de sentido, fortalecimento da esperança e promoção do cuidado integral. Ao mesmo tempo, reconheceu, com maturidade acadêmica, que determinadas experiências religiosas, quando marcadas pelo medo, pela culpa excessiva, pelo autoritarismo ou pela ausência de graça, também podem contribuir para o sofrimento emocional e espiritual. Refletir sobre essa realidade exige responsabilidade científica, discernimento teológico e sensibilidade pastoral.
A inspiração bíblica para essa reflexão encontra-se na promessa registrada pelo profeta Isaías:
“Haverá ali uma estrada, um caminho, que será chamado de Caminho Santo; o impuro não passará por ele. Será para o povo de Deus; os caminhantes, até mesmo os sem juízo, não terão motivo para errar o caminho.” (Isaías 35.8 – NAA)



A imagem do Caminho Santo ultrapassa a ideia de uma simples estrada. Isaías anuncia a restauração promovida por Deus para um povo marcado pelo exílio, pela dor e pela desesperança. Ao longo do capítulo, o deserto floresce, os olhos voltam a enxergar, os ouvidos tornam a ouvir, o coxo salta de alegria e os resgatados caminham seguros rumo à redenção. Trata-se de uma visão profundamente restauradora da existência humana, em que Deus conduz seu povo da aridez para a vida plena.
Essa perspectiva oferece uma importante chave hermenêutica para compreender a relação entre religião e saúde mental. A fé cristã não nega a realidade do sofrimento nem substitui os recursos oferecidos pela ciência e pela prática clínica. Pelo contrário, reconhece a complexidade da condição humana e anuncia um Deus que restaura a esperança, fortalece vínculos comunitários, ressignifica a dor e oferece sentido para a caminhada.
Sob a perspectiva da Comunicação, essa reflexão torna-se igualmente relevante. A maneira como Deus é anunciado influencia profundamente a percepção que as pessoas constroem sobre si mesmas, sobre o sofrimento e sobre a própria esperança. Discursos religiosos marcados pelo medo, pelo desempenho ou pela culpa tendem a ampliar processos de adoecimento; por outro lado, uma comunicação fundamentada na graça, na verdade e na esperança favorece experiências de acolhimento, pertencimento e restauração.
Da mesma forma, a Psicologia contribui para compreender os processos emocionais, cognitivos e relacionais envolvidos na experiência religiosa, qualificando o cuidado pastoral e ampliando as possibilidades de uma atuação ética e humanizada. O diálogo entre Teologia e Psicologia não representa perda de identidade para nenhuma das áreas; antes, revela a riqueza de uma compreensão integral da pessoa humana.


Um dos momentos mais significativos da programação foi o lançamento da 17ª edição da revista Teologia e Sociedade (Vol. 1, n.º 17/2026), inteiramente dedicada ao tema “Religião e Saúde Mental”. A publicação representa mais um importante passo na consolidação da produção científica da FATIPI e amplia as discussões iniciadas durante o colóquio.
A nova edição reúne artigos que abordam a espiritualidade e a religião sob diferentes perspectivas, contemplando reflexões éticas, contribuições da psicanálise e da sociologia da religião, práticas contemplativas, aconselhamento pastoral, além de estudos sobre o potencial da religião tanto para promover processos de cura quanto, quando mal compreendida ou praticada, contribuir para experiências de adoecimento — inclusive entre aqueles que exercem o ministério pastoral. A diversidade dos trabalhos demonstra a maturidade acadêmica da revista e reafirma seu compromisso com uma investigação séria, interdisciplinar e comprometida com os desafios da Igreja e da sociedade.
A edição completa da revista Teologia e Sociedade (Vol. 1, n.º 17/2026) está disponível gratuitamente em formato digital e pode ser acessada aqui.
A realização do I Colóquio Teológico e o lançamento da nova edição da Teologia e Sociedade expressam uma mesma vocação institucional: promover uma teologia que dialogue com a realidade humana, produza conhecimento relevante e contribua para a formação de líderes preparados para responder aos desafios do nosso tempo com fidelidade às Escrituras, excelência acadêmica e compromisso com o cuidado integral da pessoa.

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Se Isaías apresenta o Caminho Santo como a estrada da restauração preparada por Deus para o seu povo, a FATIPI reafirma, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, o compromisso de caminhar por essa mesma direção: formando pastores, líderes e pesquisadores capazes de anunciar um Evangelho que restaura vidas, promove esperança e serve à sociedade por meio do conhecimento, da fé e do cuidado.

Rev. Marcos Camilo de Santana
Professor e Pesquisador em Comunicação, Psicologia e Teologia.
Faculdade de Teologia de São Paulo – FATIPI



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