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O REINO DE DEUS NÃO É DESTE MUNDO (JOÃO 18.36)

O texto para nossa reflexão está inserido no contexto de prisão, julgamento e morte de Jesus.

Solidão, violência, traição, vergonha, interrogatório, acusação são alguns dos elementos que marcam a narrativa que antecede a crucificação do Filho de Deus.

Os representantes de vários segmentos que detinham o poder religioso judaico acompanharam Jesus em seu ministério para averiguarem se ele estava cumprindo a lei de Moisés.

Jesus realizava milagres, cuidava dos necessitados, dava novo significativo aos preceitos legais contidos no Pentateuco e anunciava que o Reino de Deus já estava presente e que não se adequava aos reinos conhecidos e sustentados pelo poder humano.

Diante das palavras e das ações desafiadoras, muitas vezes incompreendidas, apresentadas por Jesus, os líderes religiosos e intérpretes da lei insatisfeitos se voltaram contra o enviado de Deus e o consideraram um impostor. Ele pregava um reinado que não destruía o poder romano, que não devolvia ao povo de Israel o domínio político e geográfico do passado, mas trazia a esperança para a vida agora e para a eternidade.

Acusado e levado perante Pilatos para que fossem tomadas as providências para o silenciamento daquele que pregava restauração da vida, perdão de pecados e a vinda de um Reino que não se comparava com os já conhecidos, Jesus foi condenado e levado à morte. O poder romano e o poder judaico fizeram aliança e levaram Jesus à cruz.

O diálogo estabelecido entre Pilatos e Jesus nos apresenta a antítese entre o sentido de reino do ponto de vista humano e do ponto de vista divino.

Reino, segundo a compreensão humana, está diretamente associado à conquistas e exercício do poder de um povo sobre outro. Quem tem poder bélico, estratégias mais elaboradas, e, principalmente sede de domínio, usa todos os recursos disponíveis para conquistar e manter o poder.

Por isso, ao ser questionado por Pilatos a respeito de ser ele o rei dos judeus, Jesus prontamente apresenta o sentido de Reino que se diferencia de todas as experiências, concepções e conhecimento dos líderes romanos. Pilatos não compreendeu que o Reino que havia chegado trazia a verdade, a paz e a justiça.

O que podemos compreender com as palavras de Jesus que anuncia um Reino que não é deste mundo?

Em primeiro lugar, que o Reino de Deus somente pode ser conhecido pelas pessoas que ouvem e conhecem a verdade divina.


A verdade não dizia respeito às discussões filosóficas, ideológicas, religiosas ou partidárias. Ela é a realidade presente na história da humanidade na encarnação e na sua obediência do Filho à vontade de Deus. Jesus declarou ser a verdade (João 14.6) para que os seus seguidores e seguidoras não fossem enganados em relação à palavra de vida e libertação proclamada.

No reino anunciado por Jesus a verdade traz clareza à condição humana de seu afastamento da presença de Deus e da necessidade de reaproximação, providenciada pela misericórdia e graça divinas, sem as quais a humanidade jamais seria resgatada em sua integralidade.

Sendo assim, não foi a verdade de Pilatos, dos judeus ou do povo que condenou Jesus à morte, mas a plena verdade de Deus de vir ao encontro de pecadores e pecadoras para os tornar participante do seu Reino.

Outro aspecto a ser mencionado é que o reino anunciado por Jesus não é deste mundo, pois nele há plena paz. O príncipe da paz ao chegar agraciou toda a terra. Enquanto os príncipes, os reis, os governantes se fortalecem pelos acordos de morte, Jesus anuncia que são bem-aventurados e chamados filhos de Deus os que constroem a paz (Mateus 5.8). Na realidade do Reino de Deus todo e qualquer tipo de violência é uma afronta ao propósito salvífico de Deus.

Ao viver entre os seres humanos, Jesus demonstrou que a justiça humana é falha e pode se contaminar com as intenções e as ações daqueles que podem manipular os sistemas e as pessoas. Os reinos da terra se beneficiam das desigualdades e atendem interesses de determinados grupos ou pessoas, mas no Reino divino, seja neste momento, ou nos que virão, a justiça será realizada incontestável.

Quando Jesus declara a Pilatos que o reino dele não é deste mundo, diz que os valores que conduzem os governos humanos são subvertidos e novos são anunciados, pois embora o reino já esteja entre nós ele se efetivará na vida eterna anunciada por Cristo.

Enquanto vivemos a antecipação do Reino de Deus, que nossas vidas e práticas não deixem de anunciar a verdade amorosa de Jesus, não se cansem de buscar e construir a paz e propaguem sempre a justiça, fruto da misericórdia e da fidelidade de Deus em nos libertar e salvar.


Reva. Shirley Maria dos Santos Proença

Professora da Fatipi

Pastora na 3ª. IPI de Guarulhos.







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