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VISÃO CRISTÃ DO TRABALHO

O trabalho exerce papel fundamental na construção da identidade social dos seres humanos. O tipo de trabalho e a renda que se obtém por meio dele exercem forte influência sobre o lugar de cada pessoa na sociedade, sobre as relações sociais que estabelece com outras pessoas e, consequentemente, sobre a sua própria autoestima.

A noção de “vocação” (chamado) é um termo chave para compreensão da relação que o cristão mantém com o trabalho. Em primeiro lugar, somos “vocacionados/chamados” por Deus para sermos cristãos. Paulo afirma: “[...] peço a vocês que vivam de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando chamou vocês” (Ef 2.1). Em segundo lugar, somos chamados a desempenhar nossa atividade profissional no mundo como um serviço oferecido a Deus. Sobre isso Paulo ensina: “O que vocês fizerem façam de todo o coração, como se estivessem servindo ao Senhor e não as pessoas” (Cl 3.23).

As noções de justiça e solidariedade também são importantes para uma compreensão cristã das relações de trabalho. A Bíblia encerra recomendações para que os patrões tratem com justiça os trabalhadores, por exemplo: “Não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos, ou seja dos estrangeiros que estão na tua terra e dentro das tuas portas. No mesmo dia lhe pagarás o seu salário, e isso antes que o sol se ponha; porquanto é pobre e está contando com isso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado” (Dt 24.14-15). O Novo Testamento proclama que “o trabalhador é digno de seu salário” (1Tm 5.8) e que os patrões não devem reter “fraudulosamente” o salário de seus empregados (Tg 5.4). Sob a perspectiva da solidariedade destacam-se as orientações de socorro aos pobres (cf. Ex 23.11; Dt 15.11; Mt 25.35; Gl 2.10). A percepção em nossos dias das dimensões estruturais do desemprego e da pobreza desafiam os profissionais cristãos ao envolvimento com iniciativas de solidariedade que ultrapassem os limites do assistencialismo. Tais iniciativas podem estender-se desde programas de qualificação e requalificação profissional até o desenvolvimento de empresas fundamentadas na noção de economia solidária.

Destacamos no início que o trabalho representa elemento importante na formação da identidade de uma pessoa e do lugar que ela ocupa na sociedade. Porém, convém registrar que Jesus recusou-se a identificar o valor de qualquer pessoa tomando por base apenas a profissão. Pouco importava se essa pessoa era um pescador ou um coletor de impostos. Felizmente para Zaqueu, que não foi visto por Jesus como o coletor de impostos, mas como alguém que poderia tornar-se “um filho de Abraão” (cf. Lucas 19.1-10). É possível afirmar, sob a perspectiva cristã, que o elemento essencial para definição da identidade e da autoestima é a resposta dada ao convite de Jesus: “Vem e segue-me”.


Prof. Rev. Valdinei Ferreira


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