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JESUS, A EXPRESSÃO EXATA DO PAI

  • Foto do escritor: FATIPI FECP
    FATIPI FECP
  • 8 de nov. de 2019
  • 4 min de leitura

Algumas declarações da Bíblia são extremamente fortes e, às vezes, difíceis de processar. Quer um exemplo? Veja o trecho de Hebreus 1.1-3, em especial a ideia de que “o Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu Ser”: que implicações essa “expressão exata” do Ser de Deus, presente em Cristo, tem para nós?

    Antes de tudo, essa passagem nos leva a compreender e a adorar a Jesus, Deus conosco, que se esvaziou, fez-se carne e habitou entre nós. Seu nascimento, vida, morte e ressurreição são a razão da nossa esperança como povo de Deus! Mas nesta tarefa de aprender algumas coisas importantes com este texto, precisamos começar entendendo que o autor de Hebreus estava escrevendo para pessoas que ainda não tinham certeza absoluta de que Jesus era, de fato, Deus. De certa forma, os irmãos e irmãs daquela época ainda não celebravam o Natal; lembre-se que a fé cristã ainda estava “engatinhando” neste tempo! Ora, se ainda hoje para nós é difícil compreender a ideia da Trindade ou o fato de que o próprio Deus Filho nasceu numa manjedoura, imagine para as pessoas que ainda nem tinham o Novo Testamento em suas mãos! Assim, essa afirmação é, ao mesmo tempo, muito ousada para a época e fundamental para alimentar essa fé cristã nascente.

    No entanto, longe de ser uma ideia abstrata, presa ao passado, ela é importante também para nós porque essa mesma dúvida ainda é real hoje! Continuamos a viver num mundo que duvida da divindade do Filho, do fato de que Ele é o “resplendor da glória de Deus” e, mais ainda, como diz o restante do versículo 3, de que Jesus, “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”. Por isso, reafirmar estas coisas continua sendo uma atitude profética de proclamação do Evangelho a quem desconfia da divindade do Filho e da redenção por ele proporcionada.

    E talvez seja a ideia de uma “proclamação profética” a outra grande lição desta passagem para nós. Lembre-se que ela começa com a declaração de que “Deus falou no passado através dos profetas, e nos últimos dias falou pelo Filho” (Hb 1.1-2). É da própria natureza do Ser de Deus o comunicar-se. O ato da Criação é feito pelas proclamações de Deus, como nos garante Gênesis 1, e o Evangelho de João ainda nos mostra que o Verbo, a Palavra, “era no princípio”. Deus falou para criar, Deus falou com o seu povo durante toda a história do Antigo Testamento e Deus continuou a falar, mais claramente do que nunca, através da vida e obra do Filho encarnado.

     Mas repare que, dentre todos os tipos de pessoas que o autor de Hebreus poderia ter citado como proclamadoras da sua palavra, a quem ele acaba destacando? Ele não menciona os salmistas, os reis, os sacerdotes, os levitas, mas destaca o ministério dos profetas!

     Longe de ser um detalhe, isso é importante porque os profetas chegam a ter o ministério comparado com o do Filho: “assim como Deus falou pelos profetas, da mesma forma ele falou pelo Filho”. É o que Hebreus 1.1 nos garante! Pensando bem, isso não é de se espantar, porque o ministério de Jesus de fato se pautou pela atitude profética. Lembre-se que, no contexto das Escrituras, o “profético” não tem a ver com de alguma forma se prever o futuro, não é uma forma de louvar ou de “determinar" que coisas aconteça. O profeta é sempre aquela pessoa que pode até parecer inconveniente: como Amós, enumerando os pecados e desvios do próprio povo de Deus (Amós 3); como Isaías, que denuncia um culto sem vida, centrado nos interesses das próprias pessoas, ao invés de centrado em Deus (Isaías 1). Em resumo, ser profeta, tal como aqueles que o autor de Hebreus menciona, significa proclamar a Palavra também ao próprio povo de Deus, e em especial a mensagem de arrependimento e retorno à Aliança!

    Perceba que a essência do ministério de proclamação de Jesus foi essa mesma! Ele certamente é, como nos garante o próprio livro de Hebreus (2.17), o nosso Sumo Sacerdote; ele é, como proclama o livro do Apocalipse (19.16), o Rei dos reis. No entanto, quando ao ler as histórias dos Evangelhos, veja quantas vezes ele se põe em conflito com os religiosos de sua época, denunciando a hipocrisia de suas ações que condenavam outras pessoas, mas preservavam o seu próprio estilo de vida intocado pela graça de Deus? Quantas vezes ele se alinha a pessoas de reputação questionável e, surpreendendo a todos, questiona a boa reputação de outras?

     Sim, Jesus, o profeta e Filho de Deus, habitou entre nós! Como, então, podemos celebrar verdadeiramente o nascimento daquele que é “a expressão exata do Ser de Deus”, e a maneira como ele viveu e agiu? Somos desafiadas e desafiados a assumir uma atitude essencialmente profética, proclamando o seu nascimento e seu ministério redentor a todas as pessoas, ao mesmo tempo em que cuidamos humildemente de renovar o nosso próprio compromisso como povo de Deus. Que Deus nos abençoe neste processo!


Rev. César Marques Lopes

Coordenador do Curso Livre de Teologia EAD-FECP

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