Servindo à Igreja que serve.
- comunicacao299
- 26 de jul.
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Antes de abordarmos o tema sugerido no título de nossa reflexão, gostaríamos de reafirmar nossa fé no Deus que se revela como Servo. A proposta de reafirmar nossa fé e compreensão no Deus que se revela como servo, nos ajuda a manter o foco e a corrigir os equívocos que podem atrapalhar nossa caminha como Igreja de Jesus, como Igreja Diaconal.
“tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Mateus 20:28
Ao citar um dos textos que nos remete a diaconia, entendamos que não é apenas um versículo que traz a ideia de diaconia. Mas toda a vida, todo o testemunho de Jesus Cristo está fundamentado no serviço ao próximo com o propósito de promover a vida. Jesus está afirmando que sua vida, presença e missão se caracteriza na diaconia, no serviço em favor da vida. Em todas as mensagens e ações de Jesus encontramos o serviço como base fundamental. Como exemplo, podemos citar a Parábola do Bom Samaritano, o relato onde Jesus lava os pés dos discípulos de João 13.
Infelizmente percebe-se que o serviço, a diaconia não está na pauta central da igreja evangélica. A diaconia como expressão da missão da igreja, é sempre muito laboriosa, requer um esforço elaborado, coordenado e dispendioso. O agir sempre vai ser mais difícil e trabalhoso do que apenas falar. Expressar o amor de Jesus através de ações conscientes é sempre mais difícil do apenas dizer eu te amor.
Por esta razão, entendemos que é mais fácil para igreja cantar sobre o amor, falar sobre o amor do que agir demonstrando o amor de Jesus. E a diaconia só é diaconia se for serviço prestado com amor (1 Co. 13).
Servindo a Igreja que serve. Devemos servir a igreja, não para que ela desfrute do serviço em estado de passividade e apatia. Todos devem servir a igreja para que ela esteja preparada para servir ao mundo sem pensar no que vai receber em troca, pois o serviço da igreja é gratuito como a graça que recebemos de Deus. De graça recebeste de graça daí (Mt.10:8). Podemos utilizar inclusive a lógica do discipulado, aprendo através da convivência para ensinar. Aprendizado através do compartilhamento de vida e não apenas de teorias. Jesus veio para fazer discípulos, e como mestre do serviço nos tornar capazes de servir e prepara servos para a seara.
Que igreja temos hoje, quais as características da igreja de hoje? Uma igreja que serve, mas que não consegue fazer e preparar seus membros ao serviço. A igreja se parece mais como um grande palco de entretenimento. Quem está trabalhando na apresentação e no culto, aparentemente tem consciência do serviço, mas aqueles que frequentam, a grande massa, apenas quer desfrutar de um culto cada vez mais profissional. O serviço desta igreja que hoje vislumbramos, tem se especializado ao serviço da celebração que tem se distanciado do serviço ao que clama por socorro nas ruas e nos becos da vida.
Parece que repetimos os erros de Israel bíblico, no tempo do profeta Amós. O profeta denuncia os pecados relacionados ao culto e sacrifício que o povo oferecia a Deus. A profecia antiga é cabível a nossa realidade como povo de Deus no século XXI. Observe o que Deus fala por meio do profeta Amós:
O SENHOR diz ao seu povo: - Eu odeio, eu detesto as suas festas religiosas; não tolero as suas reuniões solenes. Não aceito animais que são queimados em sacrifício, nem as ofertas de cereais, nem os animais gordos que vocês oferecem como sacrifícios de paz. Parem com o barulho das suas canções religiosas; não quero mais ouvir a música de harpas. Em vez disso, quero que haja tanta justiça como as águas de uma enchente e que a honestidade seja como um rio que não para de correr. Amós 5:21-24
O profeta está denunciando um culto distante do serviço e da justiça. Há cânticos, o sacrifício e o serviço sacerdotal continuam, mas a vida do povo está corrompida. Israel estava preservando o culto a Deus, mas não servia mais como povo do Deus justo, verdadeiro e misericordioso.
A igreja preserva a celebração, e reconhecemos ser bonita, bem elaborada, emotiva, profissional, mas distante da vocação diaconal, pois ainda há muitos que morrem de fome, estamos em vias de uma guerra mundial, a política mundial desorientada e corrompida, e os mais fracos ainda carregam todo o peso do mal. E quem tem mais sofrido no cenário que acompanhamos, se não os pequeninos: as crianças, idosos e mulheres. Onde está a igreja que serve, onde está o amor que se entrega para salvar?
É necessário rever nossos conceitos: que igreja devemos ser? Quando no final da Idade Média a igreja com dezesseis séculos havia se perdido, a graça já não mais existia, o perdão, as bençãos e a salvação deveriam ser adquiridos com sacrifícios de toda espécie, inclusive financeiro. Houve um grupo de pessoas que se manifestaram anunciando o retorno ao Evangelho. É esse o sentido da Reforma Protestante. Não se criou uma nova maneira de ser igreja. Não se criou uma nova igreja. Mas apenas, e maravilhosamente se resgatou o Evangelho que havia sido esquecido, escondido, aprisionado por interesse de alguns pelo poder.
Devemos continuar a servir uma igreja que busca servir aos que clamam por socorro, e não aos interesses, sejam eles quais forem, mas a Cristo. Não servir para satisfazer desejos fúteis e desnecessários. Devemos servir a Igreja que serve a exemplo de Jesus, nosso exemplo de diaconia. Essa Igreja que se apresenta como serva, vai nos levar ao serviço mútuo que sempre objetivará a vida plena, a vida abundante, a vida em Cristo.
Prof. Rev. Ricardo Bento
Professor da FATIPI
Pastor da IPI de Vila Carrão


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