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Resenha do livro: Curso de História da Igreja

Autor: Carlos Jeremias Klein

Editora: Fonte Editorial

Ano: 2007


Ainda me lembro das aulas do Professor Reverendo Carlos Jeremias Klein, de filosofia no Seminário Teológico da IPIB Antonio de Godoy Sobrinho em Londrina, nos anos de 1994. Aulas fortemente influenciadas pelo humanismo, que extrapolava o conteúdo da disciplina e sala de aula, e fazia parte de seu comportamento e a forma como se relacionava com os alunos e alunas, atencioso e amigo. Posteriormente, se especializou em História da Igreja e produziu o livro que ora apresentamos. Mestre e Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Professor de Teologia e História da Igreja no saudoso STAGS e Unifil - Centro Universitário Filadélfia, também em Londrina. 

Tomei conhecimento de seu livro “Curso de História da Igreja” logo quando foi lançado a primeira edição. Fiquei satisfeito com a possibilidade de uma historiografia da Igreja com o olhar puramente brasileiro, os poucos livros de história da Igreja são de autores alemães, americanos, latino americanos, Justo Gonzales mesmo sendo latino, por exemplo, produz a partir da academia norte americana. E ainda mais, a possibilidade de uma historiografia que fugisse da influência eurocêntrica, a história contada tendo a Europa como centro.


O livro de Klein tem sua especificidade; sua proposta não é apresentar um trabalho extenso e aprofundado sobre as questões diversas que se apresentam na história da igreja. Mesmo porque a história da Igreja tem milhares de anos, um conteúdo imenso; esta é uma disciplina que se pesquisa e estuda e há sempre algo que ainda não foi contemplado, uma fonte inesgotável, e ainda não acabou, pois estamos escrevendo a história da Igreja no século 21. O próprio Klein defini seu objeto, com foco nas igrejas históricas, excluindo de sua pesquisa as igrejas e movimentos recentes. A cada ano novas igrejas surgem, novos contornos, novas comunidades, quando se pensa que nada de novo pode surgir, lá aparece um movimento com suas singularidades. A proposta, costumo mencionar aos alunos, é um guia, que nos aponta os eventos significativos do passado, na perspectiva de Klein e da historiografia moderna, que abre nossos olhos e nos ajudam a encontrar os caminhos da pesquisa histórica teológica. Mas a pesquisa histórica não se limita em só conhecer o passado, delimitar o tempo e eventos. Ao olhar para o passado podemos encontrar exemplos de como o ser humano lidou com a vida e com o sagrado, e na perspectiva da história da Igreja, nos aproximar do querer do Salvador. Esse olhar precisa ser o mais honesto possível, pois parece que temos a tendência de não querer enxergar os erros que a Igreja cometeu, isso é muito perigoso, pois provoca em nós, que amamos a igreja e procuramos honra-la, a sensação de que é perfeita, e isso não é verdade. Quando então nos deparamos com os pecados que a igreja cometeu, sofremos e muitas vezes esfriamos na fé. Ao olhar para o passada da igreja é necessário ter a consciência de que foram servos e servas que cometeram erros e acertos. E em alguns casos usaram o nome sagrado de Deus de maneira indevida.

A História da Igreja, enquanto disciplina não tem intenção de desmerecer a Igreja do passado, muito menos coloca-la num pedestal de perfeição. Não é papel do historiador cristão também esconder os pecados terríveis que ela cometeu. Na constatação de uma Igreja manchada, com maculas, percebe-se a graça grandiosa, maravilhosa do salvador.


Além de nos apontar para os eventos que estamos acostumados a tratar na história da Igreja, influenciada pela visão eurocêntrica; a crítica a visão eurocêntrica não deve nos distanciar dos temas elencados por ela. Klein nos possibilita investigar e aprofundar nossa visão sobre a Igreja Oriental. Nos faz interessar pela igreja africana, nos faz voltar os olhos além dos textos canônicos e aprofundar o conhecimento da igreja que foi condenada pela Igreja Imperial e Católica Romana. No capitulo 13 dedica as igrejas orientais não-calcedoneses. Igreja Nestoriana, Copta, Etíope, Siríaca (Jacobi) Armênia. No capitulo 35, por exemplo, temos material importante apontando as igrejas ortodoxas.

Quero ressaltar ainda que, o trabalho de Klein é importante para o estudo teológico. Podemos considerar que o livro nos oferece uma proposta de mapeamento bibliográfico. Para quem tem intenção de estudar a história da igreja e aprofundar sua pesquisa, o “Curso de História da Igreja”, apresenta uma bibliografia muito significativa; o estado da arte foi feito com esmero, tornando a bibliografia de Klein fonte de pesquisa para aqueles que se interessam. Colabora muito, quando o autor tem a percepção de que a bibliografia de um trabalho pode abrir novos horizontes de pesquisa, assessorar outros pesquisadores em seus trabalhos e ideias surgentes. São 525 notas de roda pé, isso representa o zelo do autor e preocupação de que os pesquisadores tenham acesso as fontes que pesquisou. Isso representa sua compreensão, de que seu trabalho não foi conclusivo, mas uma porta aberta para outros pesquisadores, outros objetos.  

 

Rev. Ricardo José Bento

Professor de História da Igreja na FATIPI

Pastor da IPI da Vila

 



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