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WILLARD, Dallas. A conspiração Divina: um roteiro para trilhar no caminho de Deus.

São Paulo: Mundo Cristão, 2001. p.462


Eleito o livro do ano pela “Christianity Today” e mencionado por Richard Foster como “uma obra-prima” da espiritualidade cristã, “A Conspiração Divina” é sem qualquer dúvida um daqueles livros para se ler muitas e muitas vezes. Dallas Willard, o autor, não é o típico autor cristão norte-americano. Em geral, tais autores são rasos em matéria de diálogo com as ciências em geral e, em particular, com as ciências humanas. Willard, além de teólogo, exerceu o ofício de professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Sua experiência como docente da área da filosofia imprimiu ao livro uma marca inconfundível do cristão que busca articular as razões de sua esperança no contexto das grandes indagações filosóficas. Dallas Willard faleceu há quase 10 anos, em maio de 2013. Todavia, sua obra continuará influenciando as gerações futuras.

A vida no reino de Deus é o tema da Conspiração Divina. O discípulo do “nazareno luminoso” é alguém que “já entrou na vida eterna”, isto é, na vida do reino. Com muita paciência e precisão teológica o autor desconstrói a visão equivocada que corre entre evangélicos de que a missão de Jesus seria somente morrer para levar, aqueles que creem, para o céu. Willard chama de “fé código de barras” essa visão teológica, o scanner lê o que está no código e pouco importa o conteúdo da vida daquele que crê. Trata-se, nas palavras dele, de uma teologia das quinquilharias, completamente desvinculada da vida real e que transforma a fé em Cristo num bilhete premiado para entrada no céu. Mais do que criticar as visões equivocadas, Willard apresenta uma visão positiva do que significa seguir Jesus: “Confiar na verdadeira pessoa de Jesus é ter confiança nele em cada aspecto da nossa vida; é acreditar que ele está certo a respeito de todas as coisas, que ele é adequado a todas as coisas” (p.69).

Publicado há mais de duas décadas o livro permanece extremamente atual para os leitores brasileiros. Por exemplo, logo no segundo capítulo Willard examina o chamado “evangelho da direita” e o “evangelho da esquerda”. No “evangelho da direita” são examinados os temas da separação entre fé e vida e a visão exclusivamente futurista da salvação. No “evangelho da esquerda” é examinado o tema do reducionismo da fé cristã à ética social e à militância política. Num ambiente em que nossas igrejas buscam um caminho de saída da ressaca do extremismo político dos últimos anos, certamente “A Conspiração Divina” poderá propiciar reflexões fecundas para recuperação da primazia do evangelho e do reino de Deus na missão confiada ao povo de Deus.

O que é o reino? A resposta segundo o autor é a seguinte: “reino é tudo aquilo sobre o que temos legitimamente voz ativa... ao criar os seres humanos, Deus os fez para governar, para reinar, para ter domínio dentro de uma esfera limitada” (p. 42). O problema é que o esforço dos seres humanos para exercer esse domínio longe da comunhão com o Criador acaba gerando consequências trágicas que são fartamente testemunhadas pela história. Passamos, enquanto seres humanos, boa parte de nosso tempo tentando impor aos outros nosso domínio ou tentando fugir do domínio deles. O resultado é o caos social e individual.

A boa notícia trazida pelo “nazareno luminoso” é a redenção do “nosso domínio”, a chegada do reino de Deus entre nós. Assim Willard escreve: “ Deus nos oferece a sua redenção e nos convida individualmente, cada um de nós, a ser fiéis a ele nas poucas coisas sobre as quais realmente temos voz ativa. Ali, a cada momento, vivemos na interface entre a nossa vida e o reino de Deus no meio de nós. Se somos fiéis a ele aqui, conhecemos a cooperativa fidelidade dele a nós. Descobrimos a eficácia do seu governo conosco precisamente nos detalhes do dia-a-dia” (. 45).

O livro está estruturado em 10 capítulos que seguem a dinâmica da vida, ensino e ministério de Jesus nos evangelhos, principalmente no evangelho de Lucas. As bem-aventuranças são examinadas em profundidade, assim como muitos dos diálogos de Jesus com os fariseus. Por fim, o capítulo 9 propõe um currículo para “imitação de Cristo”, que nada mais é que um esforço de compreender e aplicar ao dia-a-dia a mensagem de Jesus. Isso é muito coerente com o subtítulo do livro: “um roteiro para trilhar no caminho de Deus”.


Rev. Valdinei Ferreira

Professor da FATIPI


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