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DISCIPULADO – Dietrich Bonhoeffer

Dietrich Bonhoeffer foi um dos mais notáveis teólogos e pastor do século XX. Vale ressaltar o apreço, preocupação e dedicação ao ministério pastoral por meio de três comportamentos marcantes:


a) Ele foi um dos fundadores da chamada “Igreja Confessante” na Alemanha, que surgiu por ser contrária ao regime nazista;

b) Após a conclusão do seu doutorado, ele assumiu o culto infantil na Igreja Grunewald e contava histórias bíblicas para as crianças de maneira viva e empolgante;

c) Sua prática devocional sempre foi levada muito a sério, tanto pessoalmente como no ambiente acadêmico e na prisão.


Bonhoeffer nasceu em Breslau, Alemanha, no dia 4/2/1906. Toda a sua vida foi marcada pelas duas Guerras Mundiais: a sua infância, pelo antes e durante a 1ª Guerra; sua juventude e formação teológica foram vividas no período “entre guerras”; na fase adulta, ele milita contra, é preso e morto no final da 2ª Guerra.

Com isto, vários conceitos e perspectivas estão associados a Bonhoeffer: mártir, profeta, espião e conspirador contra o regime nazista, em particular, contra a vida de Adolf Hitler. Três são os temas centrais em seu pensamento teológico: cristologia, eclesiologia e vida cristã.

Um dos principais livros da autoria de Bonhoeffer é “Discipulado”. Nele, há clara intenção em mostrar o que significa ser discípulo de Cristo.

Para ele, o discipulado se inicia com o chamado de Jesus e resulta na total transformação de vida, ou seja, no total rompimento com o sistema do mundo.

“Discipulado” está dividido em duas partes.

Na primeira, a ênfase recai na perspectiva individual do discipulado. Bonhoeffer inicia com o destaque de duas concepções acerca da graça divina: graça preciosa e graça barata.

Graça preciosa é o tesouro escondido no campo, a pérola preciosa, o chamado de Jesus que nos faz “largar tudo para segui-lo”. “Essa graça é preciosa por custar a vida do homem, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador”.

Graça barata é a graça como doutrina, como princípio, como sistema; significa conformismo com o pecado, sem o desejo de libertar-se dele; é a justificação dos pecados, e não do pecador; é a pregação do perdão sem o arrependimento. É a graça sem o discipulado, sem a cruz e sem Jesus vivo e encarnado.

A seguir, o discipulado é analisado tendo como referência o “Sermão da Montanha” e encerra com a ênfase nos “mensageiros” (Mateus 9.35 a 10.42).

Para Bonhoeffer, discipulado está condicionado ao chamado, à obediência, à cruz e à missão.

Na segunda parte do livro, a preocupação é comunitária e cristocêntrica. Por isto, o título: “A igreja de Jesus Cristo e o discipulado”. Nela, Bonhoeffer se preocupa com a unidade da igreja e trata do discipulado na perspectiva do batismo, do corpo de Cristo, da igreja visível, dos santos e da imagem de Cristo.

Em “Discipulado”, Bonhoeffer rejeita a graça compreendida pelo liberalismo teológico (graça barata), escola em que se formou.

A leitura do livro nos leva a refletir sobre como vivemos a fé cristã, o evangelho pregado e ensinado por Jesus. O livro é um chamado para a cruz, para a entrega e para o sacrifício.

Ser discípulo de Jesus é um privilégio, mas exige responsabilidades, renúncia e entrega total.

O livro é surpreendente por exigir muito de nós diante do discipulado de Jesus, mas também é um convite para vivermos a graça preciosa.

Bonhoeffer faleceu com 39 anos. No dia 1º/4/1945, com a Alemanha derrotada, Bonhoeffer foi transferido para a prisão de Flossenbürg.

No domingo após a Páscoa, 9/4/1945, ele compartilhou com os demais prisioneiros o texto de Isaías 53.5 e celebrou a Ceia do Senhor. A seguir, dois soldados apareceram e disseram: “Prisioneiro Bonhoeffer, preparar-se e vir junto”. Ouviu-se então as suas últimas palavras: “Para mim chegou o fim, mas é também o início”.

Bonhoeffer foi enforcado, seu corpo foi queimado e enterrado com milhares de outros.


Rev. Reginaldo von Zuben, diretor da Faculdade de Teologia de São Paulo da IPIB (FATIPI)

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