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Resenha - HUNTER, James C. Como se tornar um líder servidor. Sextante. Rio de Janeiro, 2006.

Nesse livro, James Hunter dá prosseguimento aos princípios apontados no seu livro anterior, o Monge e o Executivo[1]. Para ele, liderança é uma habilidade que podemos adquirir, basta querer. Não é algo que vem no DNA da pessoa, mas “uma capacidade aprendida ou adquirida por meio da educação e da aplicação”.[2]

Hunter enfatiza que liderança é a capacidade de influenciar. Isso significa que as atitudes do líder são extremamente importantes nessa tarefa. Não se influencia com palavras, mas através das reações que se tem diante das coisas que acontecem. Para ele, liderança e desenvolvimento do caráter são a mesma coisa, porque como ele mesmo diz: “Liderança é o caráter em ação”.[3]

Se o líder desenvolver seu caráter de forma positiva, certamente conseguirá influenciar seus liderados. Para isso, Hunter, toma como exemplo, Jesus Cristo, que para ele foi o ser humano mais influente da história. Para Jesus, se você quer liderar, deve então servir. Essa é a base da liderança defendida por Hunter.

Servir significa atender as necessidades dos seus liderados. Não é atender seus desejos, mas dar a eles aquilo que realmente necessitam. Para isso é necessário que seja quebrado ou abandonado velhos paradigmas. Precisa haver mudanças e nem sempre queremos mudar. Mudança exige coragem para reconhecer que as coisas mudam, que as empresas mudam, que o mundo muda, que as pessoas também podem mudar.

Hunter, como no seu livro anterior, inova ao introduzir dentro dos princípios de uma liderança eficaz, o amor. A maioria das pessoas tem um entendimento errado sobre o que é o amor. Definir o amor somente como sentimento, dificulta a prática do mesmo. Amar tem a ver mais com atitudes do que sentimentos. Pode-se amar uma pessoa sem necessariamente gostar dessa pessoa. O autor faz distinção entre o amor emocional e o amor devocional. Amor emocional é a linguagem e a expressão do amor, mas não é o amor. “O amor devocional é a disposição de uma pessoa para ser atenciosa com as necessidades, os interesses e o bem-estar de outra, independente de como se sinta”.[4] Portanto, o amor deve ser mostrado e não simplesmente falado.

Liderar é estar disposto a servir ou amar. Como podemos agir assim? Isso tem a ver com nosso caráter e a disposição de desenvolvê-lo, em alguns casos transformá-lo. O caráter é a somatória do ambiente e dos hábitos, virtudes e vícios. Segundo Hunter, somos influenciados tanto pelo ambiente como pela hereditariedade, mas ele enfatiza: “influenciados, sim; determinados, não”.[5]

Mas Hunter também afirma que o caráter é a somatória dos hábitos. Se os hábitos são bons, o caráter vai ser bom. O contrário também acontece. Portanto, o desenvolvimento do caráter tem a ver com as opções que se faz. É responsabilidade de cada um o querer desenvolver seu caráter para o bem ou para o mal.

Hunter conclui fazendo uma afirmação pessoal sobre o que defendeu em seu livro. Se liderança é o caráter em ação. Se o caráter é a somatória dos hábitos, virtudes e vícios e que precisamos desenvolver o caráter, há a necessidade de mudanças e isso não se consegue somente com a força de vontade. Há a necessidade de que deixemos Deus produzir as mudanças necessárias em nossas vidas.

Hunter é muito corajoso ao fazer essa afirmação, mas entendo que sem ela, todo o livro ficaria num vazio, pois só Deus é capaz de propiciar as mudanças na natureza humana e nos tornar seres humanos melhores para podermos liderar com eficácia, em serviço e amor.


Rev. Marcos Nunes

Diretor da FATIPI

Pastor da IPI de Vila Carrão

[1] HUNTER, James C. O Monge e o Executivo. Sextante. Rio de Janeiro, 2004. [2] HUNTER, James C. Como se tornar um líder servidor. Sextante. Rio de Janeiro, 2006. p. 25 [3] Idem, p. 29 [4] Op. cit. p. 48 [5] Idem, p. 82

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